As carreiras do MRE

Quando falamos em Itamaraty, a primeira coisa que se vem à cabeça é: diplomatas. Acredito que a maioria das pessoas que não conhece mais de perto o ministério ou nunca se interessou por ele, pensa que apenas de diplomatas vive o serviço exterior.

Mas não é bem assim. O Ministério de Relações Exteriores, hoje em dia, é composto por três carreiras: assistentes de chancelaria, oficiais de chancelaria e diplomatas.

Todas as carreiras do MRE são típicas de Estado, ou seja, o serviço exterior é função que só pode ser exercida pelo governo, por servidores públicos concursados e especializados e não pode ser terceirizada.

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A foto na escadaria do palácio é um clássico dos novatos!
  • Assistentes de Chancelaria

Muitas vezes, quando alguém começa a me seguir nas redes sociais, acredita que sou diplomata. Talvez, justamente, por essa ideia de que essa é a única carreira do Itamaraty. Na verdade, sou assistente de chancelaria.

A carreira de assistente de chancelaria é de nível médio, ou seja, é preciso ter apenas o ensino médio completo para poder concorrer a uma vaga na carreira. E, claro, ter 18 anos de idade na época da posse. Tenho vários amigos que passaram no concurso com a idade mínima, ou seja, desde os 18 já estão no MRE!

A natureza do trabalho do achan é basicamente a mesma do oficial de chancelaria: apoio técnico e de gestão administrativa tanto no Brasil quanto nas representações no exterior. Além disso, pode ocupar cargos de chefia em consulados e vice-consulados.

Na Secretaria de Estado (SERE), o assistente de chancelaria pode trabalhar em qualquer subsecretaria/departamento/divisão. O trabalho desempenhado vai depender do local onde o servidor for lotado. Por exemplo: em uma divisão de cunho político, o trabalho será mais voltado para secretariado e organização do setor, o que pode tornar, muitas vezes, o trabalho desinteressante.

Já em uma divisão administrativa, o trabalho será mais dinâmico, interessante e as funções desempenhadas serão mais práticas. Eu, por exemplo, trabalhei, por todo o meu tempo de SERE, na DAEx, divisão responsável pela coordenação administrativa dos postos no exterior. Minha função era, além de enviar as verbas necessárias para manutenção de determinadas representações, ajudar remotamente na organização dos postos, tanto no que diz respeito à administração de serviços quanto aquisição, manutenção e baixa de patrimônio, imóveis etc. Eu sempre achei meu trabalho na DAEx muito interessante, pois eu tinha contato direto com o exterior, além de conhecer muito bem o funcionamento da administração dos postos antes mesmo de ser removida para qualquer um deles.

O trabalho na DAEx também me deu a oportunidade de ser professora no curso de remoção. Esse curso é obrigatório a todos os servidores antes da primeira remoção e uma das matérias a serem estudadas é GAP (Guia de Administração dos Postos), o manual que direciona todas as atividades administrativas no exterior. Eu fui monitora de GAP em vários cursos de remoção, tanto de achans e ofchans quanto de diplomatas.

Outros setores administrativos que podem ser interessantes para os assistente de chancelaria são: todas as divisões e setores do DA (Departamento de Administração), divisões e setores ligados ao planejamento e execução de informática e afins, cerimonial, setores de imprensa e cooperação técnica etc.

Não é de grande interesse para nós, achans, setores políticos, já que são mais voltados para diplomatas, o que torna nosso serviço mais limitado e muito menos interessante.

No exterior, podemos exercer funções em praticamente todos os setores das representações. Normalmente, trabalhamos no setor que mais estiver precisando de pessoal quando da nossa chegada, ou, de preferência, o setor em que temos mais experiência. Trabalhamos em setores de administração, consular, comunicações, arquivos, contabilidade, cultural, comercial, de imprensa… Enfim, todo setor de uma representação precisa de um assistente de chancelaria.

O salário de assistente de chancelaria no Brasil ainda é muito baixo. Em 2008, quando fiz o concurso, o salário inicial era de R$1.500,00! A sorte foi que um aumento de 100% havia acabado de ser aprovado e eu entrei no MRE bem no momento em que ele estava sendo implantado. Portanto, apesar do valor do edital, meu inicial foi de R$3.000,00. O que continua sendo muito baixo… para Brasília, principalmente.

No exterior, o nosso salário varia bastante de posto para posto, mas é muito melhor que no Brasil, o que nos motiva ainda mais passar o maior tempo possível fora.

Concursos: o último concurso para assistente de chancelaria foi o que eu prestei, há 12 anos. Não há previsão de próximos concursos e, muito provavelmente, não haverá mais, extinguindo, assim, a carreira.

  • Oficiais de Chancelaria

O cargo de oficial de chancelaria é muito parecido com o de assistentes, mas, no caso, é um cargo de nível superior. Não existe área de formação específica para o concurso, qualquer pessoa com qualquer curso superior pode concorrer ao cargo.

A natureza do trabalho de ofchan é bem parecida com a de achan, podendo o oficial de chancelaria exercer função de chefia de setores nas representações no exterior. O ofchan trabalha basicamente nos mesmo setores que o achan e, também, seu trabalho sempre será mais interessantes em áreas administrativas, de imprensa e cooperação e não nas áreas políticas.

O salário inicial de um oficial de chancelaria é de, aproximadamente, R$7.000,00. No exterior, o salário dos oficiais e assistentes de chancelaria não são muito diferentes, sendo o fosso salarial muito menor, inclusive com relação aos diplomatas.

O último concurso para ofchan aconteceu em 2016 e esteve válido até 2020. Não há previsão para realização de novo concurso, mas vale a pena ficar de olho.

  • Diplomatas

Os diplomatas são os servidores aprovados no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) e são formados pelo Instituto Rio Branco.

O concurso para diplomatas tem mais fases e cobra matérias diferentes das cobradas nos concursos de assistentes e oficiais de chancelaria.

Após a aprovação em concurso, o candidato é empossado como terceiro secretário e passa por um curso do Instituto Rio Branco (IRBr) para sua formação. O curso tem duração de dois anos, após os quais os novos diplomatas se formam e passam a, de fato, exercer sua função.

Durante sua formação no Instituto Rio Branco, os diplomatas trabalham nas divisões do ministério apenas como estagiários. As lotações finais e o trabalho propriamente dito começam apenas a formatura no IRBr.

Os cargos da carreira são: terceiro secretário, segundo secretário, primeiro secretário, conselheiro, ministro de segunda classe e ministro de primeira classe (embaixador). A progressão na carreira depende de vários fatores e formação e não tem tempo exato para acontecer.

O trabalho do diplomata é mais voltado para as questões políticas, ou seja, relações bilaterais ou multilaterais entre países, negociações, participação em reuniões internacionais, formulação e execução de políticas externas etc.

O salário inicial de um terceiro secretário é de, aproximadamente, R$19.000,00 e o concurso para a carreira diplomática acontece todos os anos, oferecendo um total de 25 vagas.

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E você? Qual carreira te interessaria mais? Gostaria de saber mais alguma informação além das que escrevi aqui? Deixe seu comentário e eu respondo!

 

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