O concurso: como eu fui parar no Itamaraty

Muita gente me pergunta como foi minha preparação para o concurso de assistente de chancelaria. E eu sempre respondo que não sou grande exemplo para dar dicas de estudos para as provas. Eu ainda acredito, depois de 12 anos, que eu passei no concurso porque tinha que ser.

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Olha, como o tempo faz bem pra gente haha

Eu cresci em Uberaba e, assim que terminei a faculdade, me mudei para Brasília atrás de um mestrado em literatura pela UnB. Tinha acabado de me formar em uma licenciatura, tinha planos de ser professora, nunca pensei em fazer concurso nenhum.

Assim que cheguei a Brasília, minha mãe sugeriu que eu tentasse algum concurso, já que tantos estavam acontecendo naquela época (2008).

Depois de resistir por algum tempo, acabei entrando no site do CESPE e vi um concurso para o MRE. Eram 100 vagas oferecidas e aquele era o último dia de inscrição. Me inscrevi no último dia, paguei a inscrição no último dia… E tinha um mês apenas até a prova da primeira fase.

 

  • Fases, matérias e preparação

O edital do concurso previa duas fases. A primeira consistia em prova objetiva e dissertativa. A estrutura da prova era: questões objetivas de V ou F, quatro questões dissertativas e uma redação em português.

As matérias para estudo foram:

  • português
  • inglês
  • informática
  • raciocínio lógico
  • administração
  • contabilidade

Com o tempo curto e minha certeza que aquilo era apenas um concurso “teste”, eu acabei não estudando muito. Não dei atenção para português e inglês, já que sempre foram minhas “especialidades”, estudei um pouco de raciocínio lógico, informática e contabilidade e ignorei administração. Como eu estava fazendo a prova apenas para ver como era um concurso, não me preocupei muito na preparação.

Então, nessa parte, vou ficar devendo grandes dicas, pessoal. Não sou o maior exemplo de preparação para concurso!

 

  • O CESPE

Quem conhece um pouco as bancas organizadoras de concursos sabe que a prova do CESPE é a mais complicada de se fazer. Digo isso porque a metodologia de seleção deles é diferente e isso demanda, além de atenção, uma certa “manha” do candidato.

As provas objetivas são todas questões a serem julgadas como verdadeiras ou falsas. À primeira vista, parece mais simples que uma questão com múltiplas escolhas de resposta, além do fato de se ter 50% de chance de se acertar a resposta. Mas não é bem assim. Na correção da prova, cada resposta errada anula um certa, portanto:

  1. melhor nem pensar em chutar uma questão que não se sabe a resposta;
  2. metade da prova errada ZERA a prova inteira.

Então, a melhor dica para quem faz CESPE é: se não tiver certeza sobre uma resposta, deixe em branco. Quando você deixa em branco ou pinta as duas respostas no cartão de respostas, apenas aquela questão é anulada e você não perde uma certa.

A minha opinião pessoal é que, mesmo com uma metodologia mais complicada, o CESPE é ainda a banca mais organizada e com a melhor prova.

 

  • A primeira fase

No dia da primeira fase, fui muito tranquila, sabendo que aquilo era apenas um “teste”, para eu ver como funcionam concursos. Fiz a prova sem pressa e esperei até o final para poder sair com o caderno de questões. Em casa, ao corrigir as questões, fiquei bem animada: para uma primeira prova, consegui uma ótima pontuação.

Esse pontuação teria sido até melhor se eu estivesse mais segura dos macetes do CESPE. Passando as respostas para o cartão de respostas, percebi que preenchi uma questão errado. E era uma questão de português que eu tinha certeza absoluta da resposta. Mas o meu receio de primeira viagem não me deixou marcar a outra resposta para anular e acabei perdendo essa questão e outra correta.

As questões discursivas e a redação foram sobre administração, que eu não tinha estudado de jeito nenhum, mas que dava para falar sobre apenas usando o bom senso. E eu usei todo o meu raciocínio lógico e minha boa redação nelas. No fim das contas, minha redação não teve nenhuma correção ortográfica ou gramatical, o que me ajudou (e muito!) no resultado final.

Fiquei muito satisfeita com o resultado da minha primeira fase… Para um primeiro concurso, tinha me saído muito bem… só não esperava que tivesse sido tão bem! Dos mais de 14 mil candidatos, os 175 primeiro seriam selecionados para a segunda fase… E não é que eu estava entre eles?!

 

  • A segunda fase

A segunda fase consistia em um curso de 15 dias, com carga horária mínima a ser observada e uma prova ao final do curso. As matérias eram, basicamente, português, inglês, contabilidade e redação, mas tudo já voltado para o trabalho no MRE. Essa fase foi classificatória e era a chance do pessoal classificado além das 100 vagas de chegar lá.

Nunca vou me esquecer do primeiro dia de curso. Eu não tinha ideia de como seria e tinha que estar no local às 7:30 da manhã. Primeiramente, tivemos uma palestra sobre como funcionaria o curso. Depois, fomos para as salas de aula: fomos divididos em 4 turmas, por ordem alfabética. A minha turma era a D.

Mal sabia eu que, naquele dia, minha turma teria aula até as 20:30! Foram mais de 12 horas de aula já no primeiro dia e eu fiquei exausta! Lembro de chegar em casa e ir comer um pão e, literalmente, DORMIR segurando o pão na frente do rosto!

E assim foram os 15 dias: aulas por 12 horas, muita informação e muitos novos amigos. A melhor parte desse curso foi já conhecer pessoas incríveis, que se tornariam alguns dos meus melhores amigos na vida!

Depois dos 15 dias, todos aqueles que cumpriram a carga horária mínima foram fazer a prova final dessa fase. A prova foi muito fácil de fazer, já que era tudo baseado em apostilas do curso, sem grandes problemas. Ah, vale lembrar que tivemos uma semana entre o fim das aulas e a prova, que usei para revisar toda a matérias das apostilas. Então foi muito tranquilo.

Depois da prova, eu subi umas 50 posições na colocação, mas ainda estava em 112o lugar. Estava feliz por ter chegado ao final do concurso com uma classificação tão boa e estava bem animada com a possibilidade que já diziam ser forte de chamarem 150 candidatos (quem faz concurso também sabe que, mediante autorização, é possível convocar 50% a mais de candidatos que o número de vagas previsto no edital).

 

  • Resultado final e posse

O resultado final do concurso saiu no final de julho de 2008. A partir daí, era só esperar para ver o que acontecia.

A primeira turma, os 100 primeiros, foi nomeada e tomou posse em setembro. Outra turma, de 12, tomou posse em dezembro (essa turma foi chamada porque 12 candidatos dos primeiros 100 desistiram).

E, depois desses 112, eu era A SEGUNDA da lista para uma provável convocação dos 50% a mais. E foi aí que eu comecei a ficar revoltada com aquela questão que eu copiei errada na primeira fase!!! Mas, para minha paz de espírito, logo os outros 50 foram chamados e, em janeiro de 2009, fui nomeada.

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Desculpa, gente, mas essa era a tecnologia fotográfica da época!

Nossa posse aconteceu no dia 30 de janeiro de 2009. Eu tinha 22 anos, era o primeiro concurso que eu tinha feito na vida e lá estava eu, pronta para começar a trabalhar no Itamaraty, ainda sem entender muito bem como seria, mas muito feliz por ter chegado ali tão rápido.

Então, quando digo que tinha que ser, é porque tinha que ser. Não estudei, fiz a prova para testar e, meio sem querer, estava ali assinando minha posse.

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2009, o zoom não era dos melhores

Não posso agora, relembrando essa fase, deixar de me lembrar daqueles que estiveram ao meu lado, torcendo por mim e comemorando minhas vitórias comigo… De perto, ou de longe, como mamãe e vovó! Família, obrigada por tudo! Eu amo muito vocês!

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Obrigada por estarem comigo ❤

2 comentários em “O concurso: como eu fui parar no Itamaraty

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